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A dieta mais absurda

Por que a dieta do abacaxi ou de Montignac, a teoria da combinação de alimentos e da alimentação segundo o tipo sanguíneo são totalmente anticientíficas e sem sentido?

A dieta mágica

Por um lado, existe um montão de dietas absurdas nas quais ninguém acredita de verdade: a “dieta quadrada”, segundo a qual se pode comer apenas comida com forma quadrada, ou a “dieta solar”, quando se pode comer apenas em dias de sol.

No entanto, existe muita gente convencida da eficácia de dietas que aos olhos dos especialistas não são menos absurdas do que as acima referidas: a dieta de Montignac, a dieta do grupo sanguíneo, a teoria da combinação de alimentos e outras do gênero.

Dieta de Adamo: comer segundo o grupo sanguíneo

A ideia de que o corpo de pessoas com diferentes grupos sanguíneos absolveria de modo diferente a comida surgiu em 1997 e foi lançada pelo autor norte-americano Peter D’Adamo no seu livro Eat Right 4 Your Type. É importante ressaltar que não existem evidências clínicas que suportem esta teoria.

Na verdade, para prescrever uma dieta realmente determinada pelo genoma, seria necessário analisar cerca de 60 genes específicos. A avaliação feita com base apenas no tipo sanguíneo está simplificada e não tem qualquer valor prático(1).

Dieta de Shelton: combinação de alimentos

A teoria da combinação de alimentos (food combining, trophology) foi desenvolvida na década de vinte do século passado por William Howard Hay e, mais tarde, popularizada por Herbert M. Shelton em uma série de livros publicados desde 1996.

O único estudo científico feito sobre esta dieta mostrou que a ideia da combinação de alimentos está errada(2). Além disso, muitos médicos e nutricionistas profissionais já explicaram que esta dieta não pode funcionar.

Dieta de Montignac: índice glicêmico

Michel Montignac publicou, em 1987, o livro «Je mange donc je maigriss», no qual expôs a ideia da sua dieta. Em si, a dieta se baseia na teoria do índice glicêmico (IG) da comida e na divisão de carboidratos em “ruins” e “bons”.

Os especialistas referem que o autor se equivocou em igualar o problema do excesso de peso ao aumento da sensibilidade à insulina(3). Além disso, a teoria do IG não é assim tão simples: é importante não só o tipo de carboidrato, mas a quantidade e a sua combinação com outras substâncias.

Dieta do abacaxi: “O que comer para emagrecer?”

Nesta categoria podemos juntar todas as dietas que prometem perda de peso com base em ingestão de alimentos de “caloria negativa”. Mais frequentemente na lista destes alimentos surge o abacaxi, o aipo, a toranja, o limão, a maçã, o brócolis e o repolho.

A rigor, existe de fato na natureza um produto com calorias negativas – o gelo (a água não tem calorias e o corpo acabará gastando energia para aquecer), mas a ideia de que a ingestão de certos alimentos queima as gorduras não passa de um mito anticientífico(4).

Dieta “Não comer depois das seis”

A teoria, segundo a qual antes do almoço você pode comer o que quiser, uma vez que estas calorias “se queimam”, e que depois de seis da tarde tem que jejuar para não ganhar peso durante a noite, não passa de mais um mito. O ciclo do metabolismo humano dura alguns dias, já o alimento é digerido gradualmente.

É evidente que o bolo consumido de manhã é igual ao bolo comido à tarde ou à noite – a hora da ingestão do alimento não é tão importante quanto a quantidade ingerida. Embora isso não exclua o fato de que comer demais à noite não faz, de fato, nada bem para a saúde.

Então, por que estas dietas funcionam?

Você encontrará facilmente pessoas afirmando que conseguiram perder peso e emagrecer com a dieta de Montignac ou com a teoria da combinação de alimentos, embora à primeira vista pareça que estas dietas não deveriam funcionar. O que acontece é que as pessoas simplesmente mudam os seus hábitos alimentares.

Por mais absurda que seja a dieta, ao segui-la, qualquer pessoa se torna mais cuidadosa com o que come e acaba perdendo peso como resultado de uma alimentação mais saudável ou com menos calorias totais, e não à custa de uma dieta milagrosa.

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Tendo como fundamento teorias científicas não comprovadas, as populares dietas de Montignac e da teoria da combinação de alimentos não passam de tentativas de obrigar as pessoas a se alimentar corretamente. É por esta razão que existe um feedback positivo sobre essas dietas absurdas.

Referências:

  1. Blood type diet, fonte
  2. Similar weight loss with low-energy food combining or balanced diets, fonte
  3. Montignac diet: Scientific studies, fonte
  4. Negative calorie food, fonte

Data da primeira edição:

  • 2 de julho de 2013

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