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Remédio para emagrecer

Mitos do musculação: saiba porque é que os meios eficazes para a perda de peso são perigosos para a saúde e porque a maioria dos comprimidos de dieta não fazem o efeito desejado.

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Anfetaminas para perder peso

A humanidade procura meios para emagrecer há mais de um milênio. Já no século 2 da nossa era, o médico romano Sorano de Éfeso prescrevia aos seus pacientes ervas laxantes e diuréticas como parte de um tratamento completo de perda de peso.

Em 1930, a empresa GlaxoSmithKline colocou no mercado uma substância sob o nome comercial de benzedrina que ajudava de fato e efetivamente a combater a obesidade. Hoje, os componentes ativos dessa substância são conhecidos como anfetaminas e a substância em si é proibida.

MDMA

A Benzedrina diminuía o apetite, aumentava a concentração cerebral e o desempenho funcional. No geral, isso se revelava em um aceleramento do metabolismo e aumento das calorias queimadas seguindo o estilo de vida normal. Como resultado, as pessoas perdiam visivelmente peso e, ao mesmo tempo, se mantinham animadas.

Bastou apenas alguns anos para a substância chegar à vida noturna dos clubes. A droga MDMA, conhecida atualmente como “ecstasy”, é um derivado direto dos tais comprimidos de emagrecimento. A proibição total de anfetaminas foi imposta pela maioria dos países na década de 1970(1).

“Os melhores comprimidos para emagrecer”

A composição típica das pílulas de emagrecimento da década de 1950 incluía anfetaminas, cafeína e outros elementos estimulantes, hormônios da tireoide (responsável pelo aumento da temperatura corporal), diuréticos e, muitas vezes, barbitúricos suficientes para reduzir os efeitos colaterais.

A razão para a proibição de tal composto foi a constatação da formação de dependência física e psicológica, bem como uma série de casos mortais provocados pela ingestão desses comprimidos. Entre as principais causas de morte estava o superaquecimento do corpo, ataques cardíacos e derrames cerebrais.

Efedrina e OxyElite Pro

Dada a enorme demanda por substâncias para perda de peso, as empresas de saúde colocam no mercado uma nova substância a cada dez anos, o que permite contornar a proibição de anfetaminas e ficar bem próximo delas por sua ação. Geralmente, esses componentes acabam por ser também proibidos alguns anos mais tarde.

Foi o que aconteceu com a efedrina, proibida em 2004, e com o principal componente queimador de gordura OxyElite Pro — DMAA (1,3-Dimethylamylamine, methylhexanamine ou “extrato de gerânio”), proibido em 2013. A razão foi a mortandade por ataque cardíaco e o surgimento de doenças do fígado(2).

Produtos para emagrecimento da nova geração

Por não conter anfetaminas, a substância de prescrição para perda de peso Redux (Dexfenfluramina) se tornou bem difundida na década de 1990. No entanto, alguns anos mais tarde se descobriu que as pessoas que a tomavam aumentavam em 30% as suas probabilidades de morrer de um ataque cardíaco(3).

A substância para redução de peso Acomplia (Rimonabant) é o exemplo mais recente. Uma série de países (EUA, Canadá, Índia) não deram luz verde para a sua venda por o considerarem potencialmente perigoso, mas na UE ele foi comercializado durante algum tempo. Mas acabou posteriormente sendo também aí proibido(4).

Bloqueadores de gordura

Hoje, a única classe de medicamentos permitidos para a redução do peso e que apresentam eficácia continuam sendo os bloqueadores de gordura e o fármaco Orlistat (Orlistat, Xenical, tetrahidrolipstatina). No entanto, até mesmo este medicamento levanta um monte de dúvidas aos médicos.

É necessário lembrar que a gordura dos alimentos, em si, não leva à obesidade. Para aumentar o peso corporal, o corpo necessita, acima de tudo, de exceder as normas calóricas diárias. Além disso, a substância irá tornar mais difícil a absorção de vitaminas essenciais dos grupos D, E, K e A.

Cafeína e outros elementos

Nenhum, dos inúmeros trabalhos científicos que existem conseguiu mostrar que a cafeína tenha efeito de queimador de gordura(5). Os efeitos da quitosana, do chá verde, dos ácidos hidroxicítrico e linoleico conjugado (CLA) na redução do peso corporal ou não existem ou levantam muitas dúvidas.

Atualmente, existem mais de 50 suplementos alimentares e 200 substâncias patenteadas para a redução do peso corporal. Em 90% dos casos esses medicamentos não funcionam ou, se funcionam, funcionam muito pouco. Em 10% dos casos, são medicamentos perigosos. Independentemente do preço.

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Alterar o metabolismo é uma interferência grave no trabalho do nosso corpo que, seguramente, não fica sem consequências. Toda a história dos comprimidos para perder peso se limita à invenção de uma nova substância é à evidência do seu perigo mortal alguns anos mais tarde.

Fontes:

  1. Substituted amphetamine, Wikipedia article, fonte
  2. OxyElite Pro Supplements Recalled, fonte
  3. Anti-obesity medication, fonte
  4. Rimonabant, fonte
  5. Caffeine — in-depth scientific information, fonte

Data da primeira edição:

  • 12 de augusto de 2014

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