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Músculos e cérebro

Descubra como o cérebro e os hormônios afetam as mudanças de aparência físicas do seu corpo, mesmo sem treinamento de força. Estratégia "mental" para ganhar massa muscular.

A influência da testosterona no aspecto físico

Cientistas do Howard Hughes Medical Institute confirmaram existir uma análise que pode ser feita a partir da relação entre o comprimento dos dedos da mão. Eles descobriram que se o dedo indicador for mais longo do que o anelar a criança terá sido exposta a maior quantidade de testosterona no útero materno(1).

Talvez seja precisamente a testosterona que venha a moldar o futuro aspecto físico da criança: quanto mais elevados os níveis básicos do hormônio, mais músculo o menino conseguirá ter durante a puberdade ou até mesmo com a prática de qualquer esporte (desde que seja corretamente e bem alimentado).

Peso corporal geneticamente definido

Apesar de a teoria dos somatotipos que relaciona a espessura dos ossos com o metabolismo estar em grande parte errada, a testosterona e outros hormônios formam algo parecido que se encaixa no conceito de “somatotipo”, algo que faz com que o corpo adote determinada forma e mantenha essa forma.

As mais recentes pesquisas em neurociência mostram que cérebro humano tem controle independente sobre o peso corporal, mantendo-o no limite dos 5-7 quilos do “ponto de definição” (set point), independentemente do nível de atividade física e até da ingestão calórica(2).

Por que os exercícios não nos emagrecem?

Ao abrandar ou acelerar a velocidade do metabolismo através da secreção de hormônios da tireoide, o organismo queima mais ou menos calorias. Se ele estiver com grande falta de calorias, o cérebro obriga o corpo a sintetizar a leptina – o hormônio da fome – que vai provocar uma imensa sensação de fome.

Por sua vez, o aumento do gasto energético através de esportes ativos fora da norma do set point (na essência é a tentativa de perder peso através de exercícios) leva muitas vezes a que o corpo reajuste o metabolismo, colocando-o em um modo mais de funcionamento mais “econômico”.

Novo ponto de contagem

A alteração do peso corporal deve começar com uma alteração do set point. É necessário mostrar de alguma forma ao cérebro que ele tem que manter outro peso: menor, caso a pessoa esteja tentando perder peso, ou maior, se o objetivo for ganhar massa muscular.

Mover o set point para cima é bastante fácil. Extremamente difícil é fazê-lo reduzir. Aqueles que alteraram o seu peso em mais de 9/7 kg e conseguem mantê-lo assim durante alguns anos, na verdade, o que fizeram foi dar um novo ponto de definição ao corpo, reconstruindo assim o sistema hormonal.

Insulina e testosterona: “drogas” para o cérebro

No fundo, são dois os hormônios que formam o corpo do homem: a insulina e a testosterona. A insulina torna os tecidos suscetíveis de receber energia, acelerando a acumulação de gordura ou o aumento da massa muscular. Neste caso, ao que parece, é a testosterona que “diz” ao corpo o que deve aumentar: se o músculo ou a gordura.

Com isso o cérebro pode se “viciar” tanto em níveis elevados de insulina (fazendo com que a pessoa goste muito de doces), como em níveis elevados de testosterona. Neste último caso, o cérebro vai exigir que a pessoa faça aquilo que leva ao aumento da testosterona: sexo, gosto pelo risco, treino físico e determinadas dietas.

Como funcionam os esteroides

O nível da testosterona aumentado com a ajuda dos esteroides leva ao ganho de músculo mesmo sem treinamento de musculação (outra coisa é que os músculos “exigem” carga física). O cérebro se sente mais ‘masculino’ e tenta dar ao corpo uma aparência mais masculina.

No entanto, é precisamente aqui que reside o principal perigo dos esteroides: o cérebro vai gostar tanto dos elevados níveis anormais de testosterona que vai começar a exigir a repetição de tratamentos com esteroides anabolizantes outra e outra vez. A diminuição dos níveis hormonais naturais no final só agravará a situação.

Como obrigar os músculos a crescerem

Podemos supor que o nível de testosterona aumentado por meios naturais e através da alimentação obrigará o cérebro literalmente a querer praticar musculação, o que vai aumentar ainda mais o nível de testosterona. Nesse caso, será o próprio cérebro que vai deslocar o set point para cima.

Se esta teoria estiver correta, então as tentativas de forçar o corpo a aumentar a massa muscular com treinamento de força será um caminho com curva para trás, pois se o corpo não vai entender para que precisa de músculo, ele não vai “querer” os músculos e assim que você deixar de treinar, os seus músculos irão se “desintegrar”.

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Ao que tudo indica, é precisamente a testosterona que define a predisposição genética para se ganhar músculos, fazendo assim com que o organismo “queira” ter mais massa muscular na idade adulta o que, por sua vez, provoca enorme prazer na prática da musculação.

Fontes:

  1. Developmental basis of sexually dimorphic digit ratios, fonte
  2. Why dieting doesn’t usually work, fonte

Data da última alteração:

  • 9 de dezembro de 2014

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