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Existem de fato somatótipos?

Por que a teoria da relação dos tipos de corpo, treinamento de força e rapidez em construir músculo é errada? E saiba por que os somatótipo na realidade não existem.

Quem lançou essa teoria?

O autor da teoria dos somatótipos foi o psicólogo norte-americano William Herbert Sheldon. A essência de sua obra “Atlas of Man”, de 1954, foi tentar encontrar um padrão entre a compleição física do indivíduo e suas características psicológicas.

No entanto, já em 1970 se tornaria claro que a teoria era errônea e que o tipo de figura humana não determina as características físicas e mentais do indivíduo(1). A adaptação contemporânea da teoria ao treinamento de força, no geral, está desprovida de provas.

O que é o somatótipo?

A teoria de Sheldon diz que cada pessoa possui simultaneamente os três somatótipos — endomorfo, mesomorfo e ectomorfo — mas que um, ou mais, dos tipos pode ser mais pronunciado do que outros. No total, o autor distinguiu cerca de 200 gradações.

Ele expressou a constituição física de cada pessoa como uma codificação de três dígitos na escala de “1” a “7” na ordem endo-meso-ecto. No entanto, mesmo as pesquisas iniciais do autor mostraram não existir somatótipos puros e que as situações mais comuns são “3-4-4”, “4-3-3” e “3-5-2”(2).

Fotos de estudantes pelados

O trabalho de Sheldon “Atlas of Man” foi elaborado em uma análise de fotos tiradas de diferentes ângulos a estudantes nus. Só depois de o livro ser editado se descobriu que os estudantes não tinham ideia de que estavam sendo filmados para a experiência e que as fotos podiam vir a ser exibidas em público.

Uma vez que se tratava de estudantes de universidades como Harvard, Princeton e Yale, o livro foi submetido a severas críticas. Além disso, Sheldon nunca recebeu autorização para publicar a segunda parte do trabalho, o “Atlas of Woman”, ilustrado com fotos de meninas nuas(3).

Crítica dos somatótipos

Passados alguns anos se tornaria claro que este foi o tipo de lógica usada pelos cientistas nazistas para a seleção dos indivíduos “certos” e “errados”(3). Sheldon começou a ser abertamente chamado de racista, porque o objetivo do seu trabalho foi determinar os alunos “mais inteligentes”.

A assistente do médico, que trabalhava com ele na altura da preparação do livro, relatou mais tarde que Sheldon falsificou os resultados, rejeitando as compleições de corpos que não se encaixam em sua lógica. Como resultado, a reputação do médico, como a própria teoria dos somatótipos, foram completamente deitadas por terra.

A influência dos estereótipos

Pesquisas mais recentes de psicólogos dizem que Sheldon, ao que tudo indica, terá aparentemente generalizado os estereótipos da sociedade ocidental — pessoas magras são sempre consideradas mais “aristocrática” e, portanto, educadas e inteligentes, ao mesmo tempo que as mais cheias, “do tipo camponês”, são mais tolas.

Impacto de tais estereótipos é enorme. Até mesmo os professores tendem a tratar a criança mais magra como mais inteligente, e a criança não atlética como um futuro desordeiro com capacidades intelectuais bem medianas. Ninguém considera as crianças gordas aptas para o esporte.

Somatótipos e o crescimento muscular

Estudos científicos recentes indicam que na rapidez de ganho muscular têm também influência fatores como o rácio p (percentagem de absorção da proteína por parte do tecido muscular), a rapidez do metabolismo e a eliminação das toxinas(4), e não a altura da pessoa nem a estrutura dos seus ossos ou esqueleto.

É importante entender que a teoria do somatótipo não tinha inicialmente nada a ver com o treinamento de força e foi desenvolvida para encontrar a relação entre a estrutura física e o temperamento do indivíduo. Assim, no início da década de 1970, ficou claro que não há nenhuma ligação evidente.

Como bombar corretamente um músculo?

Muitas vezes, aqueles que se consideram com tendência para engordar, na realidade não o têm essa tendência. Eles se incluem equivocadamente no grupo dos “endomorfos”, cortam na alimentação e aumentam o volume de treinamento cárdio na esperança de queimar gordura e ganhar massa muscular ao mesmo tempo.

Na verdade, o excesso de peso dessas pessoas pode ser decorrente de desnutrição. A estratégia correta de treinamento será, pelo contrário, a redução da quantidade de cárdio, pouco treinamento de base e o aumento da ingestão calórica (estratégia do “ectomorfo”).

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A teoria da relação entre a constituição física e os treinamentos de força está desprovida de qualquer lógica ou provas. O que influencia a rapidez de construção muscular ou da acumulação de gordura não é a estrutura do esqueleto, mas antes o metabolismo, o estilo de vida e o exercício físico. Na sua essência, os somatótipos não existem.

Fontes:

  1. Men and Their Bodies: The Relationship between Body Type and Behavior, fonte
  2. Somatotype and constitutional psychology, fonte
  3. The Great Ivy League Nude Posture Photo Scandal, fonte
  4. Calorie Partitioning: Part 1, fonte

Data da primeira edição:

  • 11 de junho de 2014

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